Michel de Montaigne, filósofo francês do século XVI escreveu que “a praga do homem é se gabar de seu conhecimento”.
Como “nossa ignorância é invisível para nós”, normalmente, gabamo-nos de nosso conhecimento. Por outro lado, nossa sociedade recompensa a confiança e a arrogância.
Somos seres governados por emoções e as emoções são uma barreira para cultivar a HUMILDADE INTELECTUAL.
Como diria a Professora Peggy Mason da Universidade de Chicago, “a questão é: as emoções dependem dos estados do corpo. Os estados de parte do corpo que são produzidos voluntariamente e os estados de parte do corpo que são produzidos automaticamente.” Curso: compreendendo o cérebro: a neurobiologia da vida cotidiana
“Os pesquisadores tendem a presumir que a humildade intelectual é melhor para as pessoas do que traços opostos, como arrogância intelectual e mente fechada. Alguns afirmam, em particular, que a humildade intelectual melhora o bem-estar, aumenta a tolerância a outras perspectivas e promove a investigação e o aprendizado.” John Templeton Fundation.
“Por envolver emoções, o raciocínio moral pode ser difícil para muitas pessoas aceitarem como uma tomada de decisão “difícil”. As pessoas geralmente pensam que a tomada de decisão é puramente cognitiva – entendemos a pergunta que precisamos responder, sabemos quais fatores devemos levar em consideração e eliminamos qualquer informação irrelevante. A verdade é que a tomada de decisão é baseada em fatores não conscientes, incluindo a emoção: não somos biologicamente capazes de perceber todos os dados que realmente guiam nossa decisão. Por que é isso? A ciência comportamental nos diz que pistas contextuais em uma situação de tomada de decisão impactam nossa percepção em um nível inconsciente. Reagimos emocionalmente ao contexto de uma decisão antes de analisá-la cognitivamente. Essa emoção então molda nossa cognição de maneiras em relação às quais não temos consciência. Por mais que gostemos de pensar que sabemos o que estamos pensando o tempo todo, que sabemos o que está acontecendo em nossos cérebros, de acordo com a professora Jennifer Lerner, sabemos tanto sobre o que está acontecendo em nossos cérebros quanto sabemos sobre o que está acontecendo em nosso fígado.”. Programa de liderança Pública da Harvard Kennedy School.
Por isso, a HUMILDADE INTELECTUAL está recebendo cada vez mais atenção de Psicólogos, da neurociência positiva, dos filósofos, dos cientistas em geral, das escolas de negócios e de administração pública.
Assim, como as emoções, os contextos e cognição desempenham um papel importante na compreensão e desenvolvimento da humildade intelectual, profissionais de campos diferentes como a psicologia, a epistemologia, a neurociência positiva e a pedagogia estão envolvidos em pesquisas para entender o papel que a humildade desempenha na inteligência e no bem-estar humanos.
“Pesquisas mostraram que emoções e intervenções positivas podem fortalecer a saúde, a realização e a resiliência, e podem proteger contra a depressão e a ansiedade. E, embora pesquisas consideráveis em neurociência tenham se concentrado em doenças, disfunções e nos efeitos nocivos do estresse e do trauma, muito pouco é conhecido sobre os mecanismos neurais do florescimento humano. A criação desta rede de pesquisadores de neurociência positiva mudará isso.” Professor Martin E.P. Seligman.
Mente aberta, flexibilidade, adaptabilidade e permanente aprimoramento cognitiva equipam-nos com melhores estratégias para lidar com as constante mudança de nossas vida particulares e das circunstâncias sociais.
A humildade intelectual e mente aberta são características de uma pessoa desejável em sociedade democrática que valoriza o discurso público e, como diria Rawls, o intercâmbio de opinião com os outros amplia nossa perspectiva.
A humildade intelectual pode nos ajudar a melhorar nosso humor positivo. Por outro lado, a arrogância intelectual contribui para aumentar os conflitos interpessoais e, por consequência, aumenta o estresse e o humor negativo. A arrogância intelectual engana-nos e nos faz alcançar a verdade com facilidade. Como nossa cultura promove e recompensa o excesso de confiança e arrogância, as pessoas relutam em questionar suas crenças e opiniões. Isso nos mostra que é muito difícil promover a humildade intelectual.
Diferentemente do arrogante, os intelectualmente humildes não desistem de expandir seus conhecimento e não se importa quando os seus pensamentos são desafiados. Eles buscam naturalmente mais evidências que entram em conflito com sua visão de mundo, em vez de ficar no conforto de suas ideais. Então, os intelectualmente humildes são mais propensos a admitir quando estão errados e, tampouco, sentem-se pessoalmente abalados quando suas verdades são demolidas, visto que aceitam as próprias limitações cognitivas como pressupostos do crescimento intelectual. O intelectualmente humilde é uma pessoa de mente aberta, sabe conviver melhor com a própria falibilidade e tem a capacidade de buscar bases sólidas para sustentar suas opiniões.
Ademais, como a humildade intelectual implica reconhecer as próprias limitações intelectuais e nos equipa a buscar o conhecimento mais profundo, a verdade, e compreensão baseadas em evidências robustas, ela está positivamente relacionada à inteligência. Por conseguinte, há uma relação positiva entre inteligência, humildade intelectual e discurso público ou civilidade.
Como a humildade intelectual nos equipa a produzir argumentos com base evidências sólidas e objetivas e nos motiva a obter a verdade e melhorar os resultados dos trabalhos que estamos realizando, ela pode realmente nos tornar pessoas mais inteligentes. Ademais, a humildade intelectual nos predispõe a manter uma mentalidade de crescimento e aprendizado permanente. Por conseguinte, as pessoas humildes intelectualmente são mais abertas aos argumentos que desafiam suas crenças e valores.
Com flexibilidade e adaptabilidade, as pessoas intelectualmente humildes têm melhor bem-estar emocional e maior tolerância com as pessoas e as situações que desafiam seus pontos de vista. Como somos seres emocionais e contextuais, o humor positivo aumenta a humilde intelectual e, como consequência, ajuda-nos a florescer e prosperar intelectualmente. Por isso, vale à pena trabalhar duro para cultivar a humildade, cônscios de que a predisposição em pensar e cultivar humildade pode ser o primeiro passo para promover a humildade em nós mesmo e no mundo que nos rodeia.
Contudo, as pessoas frequentemente procuram viver em tribos e entre pessoas com crenças similares, e quando as pessoas de fora seus pequenos grupos desafiam suas crenças e valores, elas se tornam agressivas e defensivas rapidamente. Assim, as pessoas dão preferência por informações que são consistentes com um crenças e valores, em vez de informações que o desafiariam e expandiriam seus horizontes. As pessoas arrogantes ou mentes fechadas costumam possuir tais traços de personalidade. Em síntese, em geral, as pessoas relutam em considerar a possibilidade de estar erradas sobre algo e, por outro lado, elas não admitem facilmente que as pessoas da outra tribo possam estar certas.
De acordo com a psicologia social, as pessoas têm expectativas em suas relacionais interpessoais e intergrupais. Essas expectativas estão alimentadas pelas crenças, valores e preconceitos que elas possuem. Ademais, as pessoa tendem a buscar evidências que reforçam suas expectativas e, por outro lado, tendem a refutar as evidências que refutam suas expectativas. Esses mesmos pressupostos operam em relação aos preconceitos baseados em gênero, raça, etnias, grupos ou opositores ideológicos.
Com regra, as pessoas se concentram em buscar evidências para confirmar seus preconceitos, expectativas em relação a outros grupos e estereótipos. As pessoas se convencem facilmente de que estão certas e que outros ou outros grupos estão errados, que são honestas e que outros individuais são desonestos.
As condições mentais que tornam possíveis tais efeitos negativos são o objetivo da Psicologia Positiva, da Psicologia Social, da filosofia e da neurociência Positiva. Assim, há Esperança para aqueles que aspiram ao conhecimento ou à verdade. Eles podem explorar ferramentas e técnicas da Psicologia Positiva, da Psicologia Social, da filosofia e da neurociência para melhorar suas perspectiva sobre os fatos, sobre a verdade e sobre outros indivíduos ou grupos sociais.
A abertura para ouvir as perspectivas das outras pessoas e tentar sempre analisar diferentes perspectivos para uma dada questão é tanto um ideal nobre quanto uma característica básica para aprender e preparar-se para lidar com uma ampla gama de situações e argumentos desafiadores. O interesse por diferentes perspectivas é um traço importante de pessoas intelectualmente humilde.
As pessoas intelectualmente humildes e, portanto, as pessoas de mente abertas são propensas a buscas evidências que possam revelar as razões por que possuem determinados comportamento e argumentos, ou refutá-las. Elas estão predeterminadas a investigar e descobrir estratégias que as ajudem trilhar o caminho da humildade intelectual e crescimento intelectual.
As Pessoas humildes não buscam o centro das atenções. Assim, elas permitem que as outras pessoas possam expressar-se e estão vividamente interessadas nas experiências e pontos de vista das outras pessoas. Elas se importam genuinamente com as outras pessoas.
A mente arrogante e egocêntrica, em geral, sabem como sentir felicidade com o sucesso dos outros, porque o ego sempre acha que deve proteger a autoimagem e, por consequência, sente-se compelido a competir com o mundo inteiro para manter seu bem-estar e supremacia. Por outro lado, as pessoas intelectualmente humildes buscam maneiras para silenciar a voz do ego.
A compaixão também é importante para melhorar nossas relações com outros e sentir a humanidade dos outros. A compaixão, a sensibilidade ao sofrimento de outra pessoa, nos abre a possibilidade para refletir sobre nossa própria vida e melhorar nossa autoconsciência, que é importante para crescimento intelectual.
Segundo estudos, as pessoas humildes intelectualmente acham importante alegrar-se com a felicidade das outras. O sucesso dos outros não torna as pessoas humildes infelizes. Elas usam o sucesso das outras pessoas para inspirar-se, aprender, motivar e para florescer e tornar suas vidas melhores e mais exuberantes. A humildade oferece uma sensação de profunda segurança psicológica, porque nos liberta das armadilhas de um mundo narcisista.
Assim, como ensina o professor Martin Seligman, “a boa vida é usar seus pontos fortes característicos todos os dias para produzir felicidade autêntica e gratificação abundante.”
Em vez de sofrer com o sucesso dos outros, as pessoas devem ter propósitos firmes na vida e devem ter persistência e coragem para encontrar as estratégias adequadas para continuar aprendendo e progredindo em direção aos seus propósitos. As pessoas devem ser tolerantes aos próprios erros, ter capacidade de adaptação e sentir confortáveis com as mudanças. Além disso as pessoas precisam saber conviver com as divergências e com as diferenças culturais e sociais. Todos esses aspectos são traços das pessoas e mentes aberta ou intelectualmente humildes.
As pessoas devem ser curiosas e abertas para entender muitas coisas e aspectos diferentes das situações e da vida para abrir-se para o crescimento pessoal. A predisposição para o novo e o diferente, a abertura para novas experiências, e busca de convivência harmoniosa com as pluralidades são o melhor preditor de uma pessoa intelectualmente humildade. Portanto, as pessoas curiosas, otimistas, focadas no crescimento pessoal e constantemente motivadas a explorar novas métodos e fórmulas de vida e procuram ir além de sua zona de conforto são pessoas mais felizes, criativas e inteligentes.
As pessoas de mentes intelectualmente abertas são mais propensas a buscas diferentes perspectivas de vida e costumam explorar todos as possibilidades que estão ao seu alcance para assimilar novas estratégias que possam trazer bem-estar e satisfação.
As pessoas devem ser obstinadas na luta pela busca da felicidade e do progresso apesar com imensa complexidade de nossos corpos e mentes.
Vejamos um trecho do artigo “A importância de se apaixonar por alguma coisa” de Ellis Paul Torrance:
“Minha experiência e pesquisa me tornaram cada vez mais consciente da terrível importância de se apaixonar por “algo” – um sonho, uma imagem do futuro. Estou convencido de que o motor das realizações futuras é a imagem do futuro das pessoas. Imagens positivas do futuro são uma força poderosa e magnética. Essas imagens do futuro nos atraem e nos energizam. Dando-nos coragem e vontade de tomar iniciativas importantes e avançar para novas soluções e conquistas. Sonhar e planejar, ter curiosidade sobre o futuro e imaginar o quanto ele pode ser influenciado por nossos esforços são aspectos importantes de nosso ser humano. Na verdade, os momentos mais emocionantes e energizantes da vida ocorrem naquelas frações de segundo em que nossa luta e busca se transformam repentinamente na aura deslumbrante do profundamente novo, uma imagem do futuro.”
Seu sonho, sua imagem do futuro, pode oferecer a motivação e foco e aprender de permanente.
Nós temos diferentes áreas no cérebro que operam como jogadores de equipe e se comunicam entre si para resolver uma determinada tarefa ou resolver um determinado problema. Temos trilhões de conexões neurais que vão auxiliar em jornada em busca do conhecimento e para formar novas conexões para melhorar nossas habilidades e capacidades. Temos a capacidade de aprender e de imaginar e planejar o futuro.
“As capacidades cognitivas, emocionais e sociais estão inextricavelmente interligadas ao longo da vida. O cérebro é um órgão altamente integrado e suas múltiplas funções operam em coordenação umas com as outras. O bem-estar emocional e a competência social fornecem uma base sólida para as habilidades cognitivas emergentes e, juntos, são os tijolos e a argamassa da arquitetura do cérebro. A saúde emocional e física, as habilidades sociais e as capacidades linguísticas e cognitivas que surgem nos primeiros anos são importantes para o sucesso na escola, no local de trabalho e na comunidade em geral. Arquitetura do cérebro, Universidade de Harvard.
Portanto, o aperfeiçoamento da Humildade Intelectual depende de múltiplos fatores e, provavelmente, muitos aspectos de nossas mentes e de emoções deitam raízes nos nossos primeiros anos de vida, quando todos estamos a orientação e comando de nossos cuidadores.
As pessoas intelectualmente humildes lutam para fazer mudanças em seus comportamentos e hábitos com escopo de aprender novas estratégias e ferramentas para melhorar seu bem-estar emocional e sua satisfação com a vida. Essas pessoas sabem que as emoções são relevantes para seus estados mentais e tomadas de decisões e, como consequência, buscam identificar os fatores psicológicos que governam suas reações e sentimentos em seus contexto de relações interpessoais e intergrupais.
Ademais, embora a felicidade esteja positivamente relacionada a humildade intelectual, há muitos outros fatores que impactam a felicidade das pessoas. “Hoje, quase 1 bilhão de pessoas vivem com um transtorno mental e, em países de baixa renda, mais de 75% das pessoas com o transtorno não recebem tratamento.” – Rialda Kovacevic, MD MPH, Banco Mundial, 2021
Portanto, a empatia e compaixão podem nos equipar com elementos cognitivos e emocionais para preparar com os estados emocionais que nos ajudam a entender as outras pessoas e a lutar por um mundo melhor. Isso se enquadra na perspectiva de uma pessoa humilde intelectualmente, menos egoísta e narcisista e mais preocupada com a humanidade das outras pessoas. Praticar a humildade intelectual e tentar melhorar de forma permanente é uma forma de reunir as forças intelectuais e se aperfeiçoar para florescer e ajudar todas as pessoas ao nosso redor e a transformar nosso mundo.
A humildade intelectual pode nos ajudar a nos tornamos mais inteligentes, porque estamos mais predispostos a admitir nossos erros, avaliar melhor os nossos argumentos e buscar evidências mais robustos para formar nossas crenças. Portanto, as pessoas intelectualmente humildes não formam seus argumentos e crenças com base em mera opinião. Preferem, ao contrário, apoiar suas crenças e argumentos em bases e dados confiáveis.
A ciência tem encontrado evidências que a humildade intelectual reduz o estresse, aumenta a empatia, melhora as relações e a felicidade. A humildade nos faz buscar argumentos sólidos para fundamentar nossas crenças e opiniões e aumenta nossa tolerância com as pessoas que possuem perspectivas diferentes das nossa. A humildade pode ajudar a construir um mundo melhor e mais feliz, porque as pessoas humildes têm maior predisposição para conviver com as pluralidades e a considerar diferentes pontos de vista. As pessoas humildes intelectualmente não tem a necessidade de impor seus pontos de vista ao outros ou achar que suas ideias são inerentemente superiores as das demais pessoas.
Segundo Santo Agostinho a humildade é o fundamento de todas as outras virtudes. A arrogância intelectual é uma corrente: “o inimigo manteve minha vontade; e dela fez uma corrente e me amarrou.”
A arrogância intelectual nos prende a limites muito estreito mas, por outro lado, a humildade intelectual nos faz desenvolver uma mentalidade que pode ajudar-nos a ampliar nossas fronteiras cognitivas, porque tornarmo-nos conscientes de nossas limitações intelectuais e nos motiva a ir ao encontra da verdade e da compreensão mais profundos dos fatos e eventos. Por isso, a humildade intelectual é virtude mais valiosa em todos os domínios da vida, da ciência ao discurso público, porque as pessoas que cultivam a humildade intelectual são mais propensas dialogar de forma construtiva e, portanto, são respeitosas com as outras pessoas.
Autoconsciência é um aspecto importante para a desenvolver a Humildade Intelectual, porque tais pessoas tentam conviver melhor com suas limitações e trabalham duro para alargar seus horizontes.
Como diria Santo Agostinho: Eu me vi e fiquei horrorizado; mas não havia como fugir de mim mesmo.”
Por isso, além da consciência mais sólida, a humildade intelectual nos ajuda a tomar decisões com bases em evidências sólidas e a questionar nossas próprias opiniões. As pessoas humildes intelectualmente são mais construtivas e respeitosas com as outras pessoas. Elas valorizar as perspectivas realistas e precisão objetiva das questões em debate, em vez de apoiar-se em meras opiniões.
O interesse na verdade objetiva diminui nossa tendência de focar em nossas preferências pessoas e condicionamentos sociais e profissionais e equipa-nos com forças emocionais e cognitivas para ir busca da verdade ou de melhores resultados dos projetos profissionais ou acadêmicos que estamos desenvolvendo. Assim, a humildade intelectual nos ajuda a gerenciar nossas emoções e evitar que as decisões sejam tomados com base forças egocêntricas e outros emoções negativas que podem impedir-nos de avaliar adequadamente a qualidade das decisões e cegam-nos para a contribuição de outras pessoas. Por isso, as emoções têm uma papel importante na avaliação da qualidade de nossas decisões. A humildade intelectual pode nos ensinar que não podemos confiar em nossas primeiras respostas paras as questões em jogo.
A humildade pode nos ajudar compreender que o contexto e questões pessoais, como saúde, podem influenciar nossas atitudes e percepções. Ademais, a aceitação da própria falibilidade pode nos equipar a fazer melhores julgamentos e considerar as contribuições de outros pessoas, em vez de ficarmos preocupados em ser o centro das atenções. Por isso, a humildade intelectual nos capacita a ser receptivos a opiniões dos outros, a ser tolerantes e respeitosos com as crenças ou ideias dos outros, especialmente, em momentos em que a divisão e polarização ideológica são cada vez maiores e mais estrondosas.
Além disso, estudos indicam que a humildade intelectual melhora a investigação e o aprendizado, visto que as pessoas intelectualmente humildes buscam evidências sólidas para formar suas opiniões e/ou eficácia dos resultados de seus projetos ou programas. As pessoas intelectualmente humildes são mais inclinadas a confiar nas outras pessoas e receber e reconhecer as contribuições das outras pessoas ao mesmo tempo em que estão mais dispostas a admitir os próprios erros.
A humildade intelectual pode nos equipar com estados mentais para recusar a mentir ou criar e espalhar informações falsas, porque tais pessoas estão comprometidas com a busca da verdade, embora reconheçam mais facilmente que são pessoas imperfeitas e imprecisas e que a ignorância pode ser invisível, podendo levar a manter falsas crenças e opiniões sem base adequadas. Elas sabem, contudo, que “não saber o âmbito da sua própria ignorância faz parte da condição humana”.
Assim, as pessoas intelectualmente humildes estão conscientes de que nunca alcançarão a perfeita humildade intelectual. A humildade é um processo ininterrupto. E fim não é a humildade em si, mas bens epistêmicos de qualidade e bem-estar pessoal e comunitário.
Em resumo, cultivar a humildade intelectual é uma tarefa realmente muito árdua e requer permanente vigilância, mas é uma virtude pela qual vale a pena lutar, se queremos ser mais inteligentes, harmoniosos, interna e externamente, e felizes.
